Sobre tapas e beijos
Segundo as teorias de grupos em sociologia e inteligência emocional, não devemos ter expectativas se não quisermos problemas em nossos relacionamentos. De forma geral, devemos, sim, ter objetivos claros a serem alcançados.
Expectativa, aqui, significa uma visão pessoal e individual de como será a realidade que se deseja construir; de forma contrária, objetivos representam o alinhamento de metas do grupo ou das pessoas em relacionamento.
A expectativa é uma ilusão. Criamos expectativas o tempo todo em nossas relações, imaginamos como seriam todas as formas, cores e nuances ao se atingir o que se deseja e se, ao chegarmos lá, a realidade não for exatamente e pontualmente como estávamos querendo, criamos uma frustração imensa e nos apressamos em colocar a culpa no outro.
A expectativa é uma ilusão porque vira desejo. E este desejo, que em um primeiro momento nos fortalece rumo à ação, no dia-a-dia vira apego. E o apego, ao ser frustrado, vira conflito e aí, não há relacionamento que perdure. No início de uma relação (de trabalho ou não), pintamos um quadro de como será maravilhoso quando as barreiras da primeira impressão caírem e finalmente construirmos algo juntos, pulando imediatamente para o desejo de ver esta paisagem completa; isto nos alimenta por algum tempo, até que atinjamos a meta. Neste momento, caso as expectativas não sejam atendidas, mesmo que o resultado tenha sido alcançado, cria-se um conflito resultante da necessidade individual de recompensa, o que joga por terra o grupo per se.
Trabalhar em equipe, viver em sociedade, é um desafio tão grande porque envolve o desenvolvimento da empatia, a quebra do paradigma do apego e humildade genuína. É um exercício de humanidade. Talvez por esta razão, Tom Morris aponta a convivência criativa como o próprio sentido da vida. Budismo aplicado aos negócios (de novo).
18/08/06 às 18:05
É realmente severa a verdade dita por você aqui Gabriel. Para que servem expectativas? Ao entendimento aqui lido, claramente só para confundir e desfocar ações diretas, e frustrar objetivos uma vez traçados. E o pior é que só parece fácil agir desta maneira, mas não o é. Acho que que ainda faz parte da natureza humana criar expectativas para tudo que fazemos, complicando nossos relacionamentos e arruinando ideologias fundadas por nós mesmos. Faltará um tempo ainda que a psicologia humana ultrapasse esta etapa emcional, e assim, evoluiremos para um novo patamar social. Abraço amigo monstro!
23/08/06 às 10:50
Parabéns Gabriel, ficou muito bom o texto, apesar de que essa é uma realidade que talvez pra alguns seja difícil de encarar, deixar as expectativas de lado em qualquer área de nossa vida é bem complicado, traçamos sim objetivos, mas não ter alguns sonhos em relação a ele é paticamente impossível.. heheheh Concordo com o que o Jimenez colocou que ainda falta um tempo para a psicologia ultrapassar esta etapa, enquanto isso vamos tentando pelo menos diminuir as expectativas que temos.
Abraços…